Análise da Crise no setor de Petróleo e o papel do Jovem Profissional

Postado em 16/10/2016 • Categorias: Artigos

O cenário atual da indústria de petróleo mundial e principalmente no Brasil, não é dos melhores. Segundo especialistas e executivos seniores da indústria talvez seja um dos piores. No entanto, um provérbio chinês diz que não há crise sem oportunidade, e acredito que esse seja o momento ideal para uma revisão dos modelos atuais adotados e uma convergência maior entre todos os stakeholders da indústria: empresas, governo, e sociedade, sobretudo do jovem profissional que será o tomador de decisão no futuro e um dos principais agentes de transformação da mesma.

No contexto mundial, fatores como o excesso de produção, e estabilização da demanda com o desaquecimento da indústria mundial, resultaram numa acirrada concorrência pela fatia de mercado, com uma perda de poder do OPEP, pressionando o preço para baixo. Uma reconfiguração patrimonial de maneira generalizada na indústria foi observada: aumento de M&A, cortes de pessoal, globalização de processos.

No contexto brasileiro, além de todos esses impactos no cenário mundial, podemos citar alguns outros fatores que contribuíram para redução das atividades de E&P:

  • Controle de preços dos derivados por parte do governo: que gerou um prejuízo na ordem dos R$ 50 bilhões impactando a capacidade financeira da Petrobras.
  • Mudança no modelo regulatório: de um modelo bem conhecido e compreendido pelo mercado para outro ainda incerto, gerando perda de atratividade.
  • Falta de rodadas de licitação.
  • Obrigatoriedade da Petrobras como operadora única no pré-sal.

Para que a indústria seja atrativa é necessário sobretudo um ambiente regulatório estável e uma continuidade das ofertas para que também tenhamos outros players. Em palestra no Workshop de Competitividade da Indústria Offshore no Brasil, promovido pela SPE com apoio do IBP, o Antonio Guimarães, Secretário Executivo de E&P do IBP mostrou que diversos BIDs ao redor do mundo como a Rodada Zero no México, Canadá e até Moçambique na costa africana tiveram um elevado nível de investimento por parte das operadoras. Ou seja o problema não é só da crise.

As saídas para a retomada do crescimento não são novidade pra ninguém: excelentes debates foram promovidos pela indústria com este objetivo, como por exemplo: a “Caminhada para Retomada da Indústria de Petróleo” promovido pelo GEE/UFRJ, o Workshop de Competitividade da Indústria Offshore, promovido pela SPE e a própria Agenda Prioritária da Indústria de Petróleo, do IBP. A partir deles, foi possível perceber que temos algumas vantagens competitivas e deveres de casa que serão o ponto de partida para a reforma do setor nacional:

  • Potencial exploratório – Pelo potencial geolófico, o Brasil pode capturar de 7-10% dos investimentos globais de E&P.
  • Capacidade tecnológica e de recursos humanos existente – Além de toda expertise tecnológica da Petrobras, é o único país do mundo que tem todas as principais empresas de serviço da área de óleo e gás reunidas com capacidade de expansão caso necessário.
  • Necessidade de uma resposta rápida por parte do governo em relação à Reforma Tributária e Regulatória: aspectos como parcela do government take nos projetos de E&P, Renovação do Repetro, Conteúdo Local flexível, Licenciamento Ambiental, Previsibilidade dos Leilões, assim como Desobrigarietade da Operação Única da Petrobras no Pré-Sal são itens prioritários para gerar agilidade para o setor.
  • Desinvestimentos em escala das áreas onshore para empresas menores x foco na área offshore/pré-sal. A estrutura de custos da BR não justifica os investimentos em áreas marginais.
  • Pensar em instrumentos de política pública para desenvolver o setor energético brasileiro de forma que não dependa da Petrobras e que ao mesmo tempo não fique sucatado e sem investimentos.

Diversas empresas estrangeiras entre elas a Statoil, Shell e Total já demonstraram interesse em expandir seus investimentos no país mediante as reformas acima mencionadas. Sabemos onde queremos chegar. Cabe a nós agora agirmos. E ninguém melhor para ser o catalisador dessas mudanças do que o jovem profissional. Para isso, algumas dicas são importantes:

  1. Não podemos romantizar tanto a questão do petróleo à nível nacional – é necessário um olhar racional acerca da indústria do país.
  2.  Ética no trabalho – é preciso saber trabalhar duro e entender que existe uma trilha a seguir, onde atalhos não são bem vistos.
  3. Paciência para entender que a indústria é cíclica e que da mesma forma que existem momentos ruins, os bons irão chegar.
  4. Estar no centro de onde as coisas acontecem, seja nos eventos promovidos, seja envolvido nas redes e comissões das associações da sua área, como por exemplo o IBP, SPE e tantos outros.

É nossa oportunidade de trazer novos métodos para o mercado de trabalho: novas ferramentas, novas formas de se relacionar, novas formas de pensar. Essa forma de trabalhar, juntamente com o que já deu certo, através da experiência dos profissionais mais seniores, é a fórmula para darmos uma guinada e reinventarmos a forma como fazemos negócios na indústria. Vamos ser protagonistas juntos?

Este artigo foi publicado originalmente na edição especial da Revista Petróleo & Gás / Petro&Química, em 16-Out-16, durante a Rio Oil and Gas.

LINK: https://issuu.com/editora_valete/docs/pg368

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Tecnólogo em Petróleo e Gás, Técnico em Automação e estudante do último ano da Engenharia de Produção. Coordenador de Serviços em Surface Americas no Brasil, membro do Comitê Jovem do IBP e atualmente Internet Chairperson da SPE Brasil. Possui mais de 7 anos de experiência no segmento de óleo e gás.

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